sexta-feira, 14 de outubro de 2011

.

Ele saiu do banheiro masculino.Eu o vi com tamanha concentração que parei de existir.Naquele momento o mundo só continha ele.Uma aura frisada o rodeava, um brilho como de átomos em desintegração, gerado, como decidimos mais tarde, pelo excesso de sangue em minha cabeça.Ele passou direto, sem reparar muito... O cheiro que senti nesse instante não foi de cigarro como havia esperado, mas de chiclete de menta.

domingo, 9 de outubro de 2011

Nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como se fosse uma “tumba do amor”.

Artigo por Contardo Calligaris, que é psicanalista, doutor em psicologia clínica e ensaísta e já escreveu diversos livros, entre eles "Crônicas do Individualismo Cotidiano" - FOLHA DE SÃO PAULO - 16/06/11
POR QUE ACABA UM CASAL?
NO DOMINGO passado, Dia dos Namorados, um amigo mandou flores para sua mulher com este bilhete: "Posso ser seu namorado ou continuo sendo apenas seu marido?".
A frase foi bem recebida. É que, para nós, "namorado e namorada" pode ser muito mais do que "marido e mulher". Em regra, nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como uma tragicômica "tumba do amor".
Na última sexta, na Academia de Ideias de Belo Horizonte, durante um bate-papo com João Gabriel de Lima sobre meu último livro, ao falar de amor e casais, eu propus o seguinte: 1) todos tendemos a amarelar diante de nosso próprio desejo; 2) o casamento nos permite acusar alguém de nossa própria covardia -assim: eu quero fazer isso ou aquilo, mas tenho preguiça e medo; por sorte, agora que me casei, posso dizer que desisto porque assim quer minha parceira; 3) um casal, para valer a pena, não deveria servir para justificar as desistências de nenhum de seus membros; ao contrário, ele deveria potencializar os sonhos e os desejos de cada um dos dois. Leia mais...
Uma mulher me lembrou, com razão, que até esse tal casal que vale a pena pode acabar. E perguntou: por quê?
Existe uma sabedoria popular resignada sobre a duração de um casal. Os sentimentos do namoro viveriam, no casamento, uma decadência progressiva inelutável. E os casais continuariam unidos mais por inércia do que por gosto.
Alguns dizem que a rotina e a proximidade desgastam os sentimentos. Ou seja, o apaixonamento sempre é fruto de alguma idealização, e de perto ninguém parece ideal por muito tempo. Será que o remédio seria manter a distância para não enxergar as falhas do outro?
Respondo: amar não significa não enxergar os defeitos do outro, mas achar graça neles. Uma amiga perde um celular por semana; ela sabe que uma relação amorosa está acabando no dia em que seu homem, em vez de achar graça na sua desatenção, irrita-se com seu descuido.
Outros acusam o tédio. A novidade (valor mor da modernidade industrial) seria o ingrediente essencial (e, por definição, efêmero) do casal feliz. Ou seja, felizes são só os recém-casados.
Respondo: todos nós, neuróticos, amamos a repetição e a praticamos com afinco. A rotina, portanto, não deveria nos afastar do amor.
Volto, portanto, à pergunta: por que um casal acaba? Levantei a questão no Twitter, e @M_Angela_ Jesus me escreveu que, segundo Anaïs Nin, os casais não morrem nunca de morte natural, mas por falta de cuidados, de atenções e de esforços.
A citação me levou a pensar nos meus próprios casamentos fracassados; não cheguei a resultado algum, salvo o fato de que não deveríamos chamar necessariamente de fracasso um amor que acaba; erigir a duração em valor é uma ideia perigosa, que pode transformar separações bem-vindas e necessárias em processos laboriosos e infinitos.
No meio dessas reflexões, no domingo, fui assistir a "Namorados para Sempre", de Derek Cianfrance, que me tocou fundo, por ser justamente a história de um amor que não é mais possível. Isso, sem que os protagonistas consigam saber por que "não dá mais": nenhum deles é o vilão da crise, e nenhum deles é capaz de dizer o que está errado e deveria mudar para que o casal tivesse uma chance.
A julgar pela idade aparente da filha, o casal do filme dura há mais ou menos cinco anos. Em cinco anos, os namorados que, no primeiro encontro, haviam dançado e cantado na rua, cheios de alegria e de encantamento, transformaram-se num casal de estranhos que se encaram antes de se enxergar.
O que aconteceu? Não há resposta. Essa é a força do filme, que acua cada espectador a se perguntar o que foi que aconteceu a cada vez que ele ou ela amou, e o amor se perdeu.
Não é preciso que haja discordância brutal, traição ou desamor para que um casal se perca. Claro, é sempre possível racionalizar e apontar causas: no caso do filme, ao longo dos cinco anos, talvez ela tenha "crescido" profissionalmente (como se diz) e alimente agora ambições que ele não pode compartilhar porque, para ele, o casamento e a filha continuam sendo as únicas coisas que importam. Pode ser.
Mas talvez o fim de um amor seja um fenômeno tão misterioso quanto o apaixonamento. Talvez existam duas mágicas opostas, igualmente incontroláveis, uma que faz e outra que desfaz.
Mas talvez o fim de um amor seja um fenômeno tão misterioso quanto o apaixonamento. Talvez existam duas mágicas opostas, igualmente incontroláveis, uma que faz e outra que desfaz.

16/06/2011
Texto retirado do blog: http://zezoferreira.blogspot.com

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Segunda, 19 de setembro de 2011 às 07:10

Ele estava atordoado. Acordou às 3 da manhã e não dormiu mais, levantou, foi até a janela e acendeu um cigarro, outro, outro e mais um. Dirigiu– se à cozinha e foi em direção a geladeira, abriu- a, fechou, abriu e fechou. Não estava com fome. Não estava com sede. Então porque abrira a geladeira? Para pensar, sim. Abrira a geladeira pra pensar, fumava para pensar, e, não conseguira dormir para não pensar. Voltou à janela, estava frio, gostava de frio. Já eram 6 horas da manhã e estava a observar a cidade através da janela do décimo andar. Enquanto olhava alguns carros que passavam lá em baixo, pensava. Não importa. O telefone tocou, não atendeu. Acendeu mais um cigarro e nada aconteceu.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Escrever é esquecer



A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira afasta-se da vida por fazer dela um sono; As segundas, contudo, não se afastam- Umas porque utilizam formulas visíveis e, portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi, e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de idéias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, afinal ninguém fala em verso.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Assimilo, desassossego, descomplico, desajusto

Não entendo, nem preciso
Não o julgo, e não complico
Critico, mas não o forço
Deixo quieto, e o faço vento
Encontro a medida. Desmedida perfeição
Da hora, da calma e contramão
Não pretendo, nem poderia
Entender, deixar ir
Livro - me, e o livro
Gestos, leio, livro, livre
Gosto, vejo. Veja bem
Penso, sinto, ouço, calo
Não falo, nada falo, nem poderia
Agir, fazer, ir, ou ficar
Prendo, solto. Salto livre
Digo, antes. Depois, penso
Nada. Quieto!
Muda tudo. Muda todo
Toda parte. Muda
Silêncio, parado, calmo
Paciência, foge!
Se esconde, corre!
Não alcanço, não tento, não mudo
Freio, brusco, falo mudo. Frio
Se mudo tudo. Eu calado
Surdo, cego, sem tato
Creio, crio, criado mudo
Desembaralho, desmancho, desfaço, disfarço
Fecho, durmo, sonho
Sou como devo:
Repouso complicado, justo, incomparável
Ser!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ela

vou sentir saudades dela,
mas vai ser melhor assim,
meu amor por você vai ate o fim.
nao quero te magoar,
nem te ver chorar.
mas eu tenho que partir.
vai ser melhor assim!
futuramente você pode não aguentar,
afinal de contas eu sei o que e amar.
eu sei o que e amar.
eu sei o que e amar.
por isso quero que seja muito feliz.
dessa vez sem mim.
e você vai ter que se acostumar.
com o fato do estranho,
que sempre vai te amar,
só que nunca mais poder falar.

A.S